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Jan. 28th, 2015

bb

cap. 03

De todas as coisas que Luhan imaginou quando bateu os olhos em Sehun na livraria, um encontro não convencional não era uma delas.

Não mesmo.

Por isso agora ele estava sentado desconfortável, na beirada da poltrona cor de rosa estampada com o rosto do ursinho conhecido, pronto para correr a qualquer movimento brusco ou estranho demais do mais novo. Ele não conseguia controlar sua expressão, o que o deixou com cara de dor de barriga, enquanto olhava em volta, tentando entender o que faziam ali.

“...Sehun.”

O nome do mais novo morreu em sua garganta enquanto imaginava os possíveis cenários para o final daquele encontro. Teria o rapaz algum tipo de fetiche estranho? E se ele sugerisse que fizessem sexo usando kigurumis combinando? Se Sehun tivesse um quarto em sua casa decorado com ursinhos e corações como o café? Se Sehun tivesse um dildo cor de rosa em forma de Rilakkuma que acendia? Sehun seria capaz de sacrificá-lo e oferecer sua alma ao deus Korilakkuma? Talvez ele tivesse algum tipo de complexo de pai e fosse infantilizado. E se ele quisesse transformar Luhan em um urso de pelúcia gigante? Tudo que Luhan tinha consigo era um canivete suiço e ele duvidava que seu canivetinho seria suficiente para encarar o mais alto.

Ele passou os olhos pelo cardápio e tudo parecia doce demais.

Ursinhos, babados e açúcar no primeiro encontro.

Zitao tinha dito que o garoto era meio estranho.

Bonito, mas o suficiente para superar aquela esquisitice?

“Por que você me trouxe no Rilakkuma Cafe, Sehun?”

“Achei que você fosse gostar da mudança de ambiente.” Todos os sorrisos dele eram assim sinceros? Sehun parecia estar achando aquilo tudo tão normal que só deixava Luhan ainda mais alarmado. “O Taozi disse que você gostava do Rilakkuma. Ele disse que gostava muito.” Sehun confessou, sua voz não denunciando nenhum sinal de malícia em suas palavras. Ele não estava mentindo. “Aí eu lembrei desse café. Eu lembro das garotas do colégio falando dele, até liguei para uma amiga pra confirmar o endereço.”

Luhan se sentiu estranhamente tocado ao perceber que, apesar da brincadeira de mal gosto de seu suposto melhor amigo, Sehun tinha se dado a todo aquele trabalho para um encontro às cegas. E o mais novo não parecia nem um pouco incomodado com suas supostos gostos peculiares.

Fez outra nota mental, a de comprar uma pá para enterrar o amigo vivo no final de semana.

“Sehun, eu…” Ele começou, sorrindo sem jeito e instintivamente aproximando seu rosto do alheio para que ele pudesse ouvi-lo melhor. “Eu não gosto do Rilakkuma. Nem de doces tanto assim. Apesar de que agora adoraria enfiar a cara do Zitao em cada um dos bolos daquela vitrine. Esse lugar é um pouco doce e enfeitado demais pra mim, acho.”

A realização caiu sobre Sehun como uma bigorna. Ele arregalou os olhos e boquiaberto, cobriu o rosto, mortificado. Só de pensar na vergonha que estava passando ali, queria se enroscar num canto colorido do café e morrer bem devagar, se misturando aos babados e ursinhos, na esperança de nunca mais ser achado. Como ele podia ter levado um cara a um lugar tão ridículo num primeiro encontro? (O que ele estava realmente pensando era ‘Como ele podia ter acreditado que alguém como Luhan gostava do Rilakkuma?’ A única pessoa de sua idade que ele conhecia que gostava do personagem era aquele garoto estranho que tinha feito antropologia com ele no semestre anterior, Chanyeol. Que mastigava os cordões do moletom camuflado que usou o semestre inteiro e que tinha o costume de aparecer silenciosamente do nada atrás dele e o abraçar.) O pensamento o fez até estremecer na cadeira, negativando com a cabeça freneticamente ao descobrir o rosto e voltar sua atenção à Luhan, que tentava não encará-lo para não deixá-lo mais sem jeito ainda.

“Taozi mentiu pra mim, né?” Ele perguntou baixo, mordendo o lábio inferior, sem conseguir sustentar o olhar no rosto do mais velho.

“É… Eu acho que… Sim.”

“Nossa, você deve estar me julgando muito agora.” Sehun riu sem humor e foi aí que Luhan viu a diferença de seus sorrisos para aquele sorriso sem graça com que ele encarava a mesa. “Eu juro, não sou esquisito.” A voz de Sehun saiu tremida e ele parou de encarar a estampa da toalha de mesa para levantar os olhos para um Luhan estóico, nenhum traço de julgamento em seu rosto, apenas um brilho sutil em seus olhos de quem entendia o que tinha acontecido. O que fez Sehun se socar mais ainda mentalmente, por ter levado um cara tão legal num lugar tão… É.

“Tudo bem. Nós todos temos nossos próprios gostos duvidosos. Eu sou amigo do Zitao, quem sou eu pra julgar, certo?”

“Mas eu não gosto do Rilakkuma! Quer dizer, ele é bonitinho e fofo, mas…” Sehun disparou a falar, tentando desesperadamente se explicar “Não tenho nenhum fetiche com pelúcia! É sério!” Ele balançava as mãos na frente de si para enfatizar o quão sério estava falando.

“Claro que não, mas… Tudo bem se você tiver.” Luhan disse, no tom mais compreensivo que conseguiu.

“Ai…” Sehun suspirou, batendo a cabeça contra a mesa. “Eu estraguei tudo, não foi?”

Uma mudança sutil passou pelo rosto de Luhan. Ele já não parecia tão frio, se divertindo silenciosamente com a reação do mais novo. Sehun travou por um segundo ao levantar o rosto, o menor ria com o punho cobrindo a boca e pequenas rugas contornavam seus olhos. Parte dele queria saltar sobre a mesa e apertar as bochechas do mais velho enquanto outra parte, um pouco maior, queria ser a razão daquele sorriso pro resto de sua vida.

“Eu já disse, não posso julgar…”

“Luhan!”

Sehun murmurou monossílabos que juntos soavam como palavrões, juntando os lábios numa linha reta e fina, que o faziam parecer com um emoji. Luhan sentiu vontade de tirar uma foto, mas se controlou e respirou fundo, parando de rir e levantando as mãos na frente de seu peito, as palmas voltadas para o outro, num gesto de rendição.

“Quer sair daqui?” Sehun perguntou de repente, recuperando a compostura ao respirar fundo e se ajeitar na poltrona. Luhan olhou em volta, sem jeito de aceitar a proposta assim de cara. “A gente pode ir pra um lugar que ofenda menos a sua masculinidade. Um lugar mais…”

“Sim, por favor.” Ele já tinha se botado de pé, encarando Sehun entre os cílios e prendendo seu lábio inferior entre os dentes,
Luhan olhou em volta e se localizando, se pôs a andar, sinalizando com a cabeça para que o maior o seguisse. “Vem comigo. Acho mais seguro eu tomar o resto das decisões hoje.”

O mais novo apertou o passo para alcançá-lo e lá foram os dois, novamente caminhando lado a lado, na direção que Luhan guiava. Ele não percebeu, mas estava um passo mais perto de Sehun, que percebeu a diferença e sorriu para si em silêncio.

“Você chama o Tao de Taozi. Por que?” Luhan perguntou curioso.

“Na verdade, foi ele que se apresentou assim. Achei que era alguma coisa estranha de chineses na época, inverter o nome, mas, até hoje ele é o único chinês que eu conheço que faz isso.”

Luhan riu pra dentro. “Você deve conhecer o Zitao por mais ou menos uns…” Um dos olhos de Luhan quase se fechou enquanto ele fazia a conta em sua cabeça. “Entre um ano e meio e um ano?”

“Como você sabe?” Sehun parecia surpreso e depois desconfiado. “Ele te contou?”

“Hah, não!” O mais velho riu e lá estavam de novo as ruguinhas em seu rosto. Dessa vez ele não cobriu a boca, o que fez Sehun pensar que ele não deveria achar aquilo bonito, mas não conseguia deixar de achar. “Você sabe o que Taozi quer dizer? Em mandarim?”

“Não.” Sehun o encarou com a expressão em branco, esperando a resposta.

“Pêssego!” Luhan riu sozinho, balançando a cabeça ao lembrar daquela época. “O Zitao teve uma fase de aegyo a mais ou menos um ano e meio atrás. Ele tentou fazer com que todos o chamassem de ‘pêssego’ porque ele achava que era ‘bonitinho’.” O chinês fez aspas com os indicadores, o tom de deboche claro em sua voz. “Mas é claro que não deu certo e hoje ele age como se isso nunca tivesse acontecido.”

E foi a vez de Sehun esconder o riso com o punho, aquilo era a cara do amigo de ambos. Já não sabia mais porque tinha se preocupado com Luhan o julgando. Ele claramente tinha passado tempo o suficiente com Tao para entender o que tinha acontecido antes. “Luhan? Onde a gente tá indo?”

“Eu vou entrar ali com você.” O mais velho apontou para um beco mais abaixo na rua que desciam. “E tirar seus órgãos pra vender na deep web.”

“Ah… QUE?” Sehun já tinha começado a assentir com a cabeça quando processou as palavras do mais velho, o divertindo com sua reação.

“Você funciona meio devagar, né Sehun?” Luhan riu, indicando uma porta vermelha com a cabeça e tirando a mão do bolso para abri-la, esperando que o coreano o seguisse antes de subir a escadaria estreita. “Esse é o melhor huoguo que eu comi na Coréia.”

“Huoguo?” Sehun continuou sem entender.

“É, hot pot. Ensopado chinês, sabe?” o chinês se virou pra trás, olhando Sehun de cima. Ele parecia tão novo com aquela expressão confusa.

“Ah sim!” Era impressionante como Sehun era transparente, ele não conseguiria fingir que entendia do que Luhan falava se não soubesse exatamente do que ele estava falando. Luhan se sentiu mais tranquilo sem perceber. Pelo menos durante aquela noite, se Sehun mentisse pra ele, ele saberia.


Sinceramente, sim.

Mas ele não queria ter seu coração quebrado em mil pedaços de novo. Apesar do momento tenso, a conversa entre os dois fluiu surpreendentemente fácil e Zitao - Luhan odiava admitir - tinha razão, eles tinham se dado muito bem. Sehun parecia suficientemente decente e genuinamente bom. Para um primeiro encontro, aquele tinha sido quase perfeito. Luhan não se lembrava de ter se divertido tanto em seu primeiro encontro com Baekhyun.

Baekhyun.

Eles são sempre bons no começo, Luhan. Mas a hora que ele se cansar de você e te tratar como lixo, você vai agüentar? Lembra do Baekhyun. Até onde você sabe, Sehun pode fazer a mesma coisa com você. Qualquer um pode. Baekhyun também era legal no começo. Você achava que estava bem. Achava que era feliz. Não confia.

"Eu quero, mas… Não posso."

A voz de Luhan falhou quando as palavras escapam de sua boca. O tom pesaroso o surpreendeu e ele se sentiu sendo sincero pela primeira vez em muito tempo. Ele pôde ver a mudança na expressão do mais novo - o sorriso cheio de esperança se tornar uma carranca desanimada. Luhan se sentiu um lixo quando viu como suas palavras atingiram o garoto, mas repetiu pra si mesmo que estava fazendo aquilo porque era o certo. Para seu próprio bem. E para o bem de Sehun também. Ele podia continuar procurando a tal da 'pessoa certa' sem ele em seu caminho. Era melhor assim.

"Por que não pode?˜

"Eu não sou sua pessoa certa, Sehun."

"Não, Luhan. O único que saberia se você é ou não, sou eu. Você não quer ser."

Sehun passou por Luhan e subiu os degraus antes que Luhan pudesse reagir, entrando no prédio e subindo ruidosamente as escadas até seu próprio dormitório. Luhan só ficou ali parado, as mãos largadas ao lado de seu corpo, observando a porta aberta pela qual o maior passara momentos atrás. Um suspiro escapa de seus lábios porque o que diabos tinha acabado de acontecer? Por que ele concordou em conhecer Sehun mesmo? Ah, o trabalho. E Zitao. A culpa era toda de Zitao.

Ele deu de ombros e subiu as escadas devagar. Xing devia estar morrendo de fome.

E só então ele lembrou de Xing. Tinha esquecido de comprar o presente de seu gato.



Naquela noite, antes de dormir, o celular de Luhan vibrou, iluminando o canto escuro perto de seu travesseiro.

Oh Sehun:
Boa noite, Luhan.
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cap. 02

A livraria estava estranhamente cheia para uma sexta a noite. "Quem marca encontros em livrarias?" Luhan já se perguntava, não gostando do que a resposta poderia implicar em relação ao seu 'pretendente'. Tentou não se preocupar, andando devagar entre as estantes que conhecia bem.

Era uma livraria pequena, com um mezanino e estantes cheias de tudo. De livros técnicos e cinqüenta tons de cinza a canetinhas e moleskines. Aquele lugar era um tipo de refúgio para Luhan quando a faculdade o enlouquecia e ele precisava se esconder de seus amigos - Zitao - quando esses enfiavam idéias na cabeça que não o agradavam.


"Luhan!" a voz animada veio de Minseok, o famoso dono do lugar, que acenou para ele equilibrando uma pilha de livros nos braços. Luhan acenou de volta antes de ir ao seu encontro. Caixas de novos volumes cercavam o mais baixo que os empilhava no chão ao lado do sócio, sentado no chão contando-os e os separando por título. "Eu preciso voltar pro caixa." Ele se levantou, limpando a parte traseira de suas calças batendo as mãos sobre o tecido. "Olá, Luhan!" Apertou a mão do chinês, que sorriu e o cumprimentou de volta. "Oi, Jongdae!"

"Material novo, huh?" Luhan ajudou Minseok, segurando uma pilha do último volume de uma nova saga dessas distopias adolescentes que acabara de sair.

"Uhum." Minseok concordou com a cabeça, pegando a pilha das mãos de Luhan e a carregando para um dos balcões "O Palahniuk que você pediu chegou. Pedi pro Jongdae guardar atrás do caixa. É só pedir pra ele". Minseok pisca para o chinês antes de se afastar para buscar mais caixas que bloqueavam a passagem para sessão de guias turísticos.

Minseok e Jongdae eram sócios e casados. Luhan os conheceu assim que chegou à universidade. Eles foram as primeiras pessoas com quem falou no seu primeiro dia de aulas. Luhan estava perdido e os dois estavam em um encontro, tomando café numa cafeteria literalmente ao lado dos portões da instituição que o maior frequentava quando ele pediu socorro aos dois sem nenhuma vergonha com um coreano ainda carregado de sotaque. Uma conversa de cinco minutos, um encontro depois na livraria e um café, foi tudo que foi preciso pra selar a amizade entre os três.

" O Minnie disse que meu livro chegou." Luhan se apoiou contra o caixa, sorrindo para o amigo de traços felinos que lhe entregou uma cópia de capa dura de Invisible Monsters, terceiro romance de Palahniuk.

"E aí? Conseguiu pensar em um tema pra sua tese de final de curso?"

"Sim! Aos quarenta do segundo tempo". Luhan estufou o peito, apesar de ainda lembrar da sobrancelha arqueada do professor, o julgando ao defender seu tema de forma tão despreparada.

"E já perdendo suas primeiras horas de liberdade na nossa livraria?"

"Er..." Luhan hesitou, encarando os próprios pés. "Eu meio que fui obrigado. Mas eu ainda amo você e o Minnie."

"O que o Zitao aprontou dessa vez?"

Viu? Todos sabiam que Tao não batia muito bem das idéias.

Luhan explicou todo o plano infalível e a missão perpétua de Tao para desencalhá-lo enquanto Jongdae murmurava algo e concordava com a cabeça vez ou outra, atendendo aos clientes e deixando Luhan ajudá-lo a colocar os livros em sacolas e entregá-las aos clientes até ele ter acabado de explicar toda a história acaba e Luhan ir com o último deles. Zitao tinha mandado uma mensagem, dizendo que o tal do cara que ele deveria encontrar já estava a caminho.

Se despediram com Minseok deixando um copo de limonada e um beijo no rosto do marido, o que deixou Luhan com uma inveja dos amigos que ele jamais admitiria.

"Boa sorte com seu encontro!" Jongdae gritou um pouco alto demais, fazendo Luhan se encolher com as mãos nos bolsos enquanto se afastava do caixa. Às vezes ele sentia que essa amizade era como ter pais adotados.

"Acho que dessa vez o Tao fez algo direito." Jongdae segredou ao marido, o abraçando pela cintura e sentando-o em sem colo no banquinho atrás do balcão.

Luhan não falava com ninguém além dos dois e de Tao nos últimos meses. Raramente saía de casa para fazer qualquer coisa que não fosse ir às aulas e buscar mais livros. Ele achava que se se ocupasse e não se importasse com o fato de que estava sozinho, isso não iria incomodá-lo, mas os amigos estavam preocupados com o quão fechado o outro estava se tornando. Luhan julgava que era melhor assim, ele nunca estivera tão bem. Não se machucava e preferia gastar seu tempo e dinheiro com Xing, que jamais o abandonaria.

"O Zitao só quer ver ele bem". Minseok sussurrou depois de ouvir toda a história do encontro de Jongdae. " Eu também ".



Seu encontro chegou na forma de um garoto alto demais, branco demais, magro demais e novo demais.

Os cabelos escuros lhe caíam sobre os olhos que sumiram em crescentes quando ele checou às horas em seu celular, rindo de algo que leu no visor. Ele tinha mãos grandes e dedos finos, elegantes e delicados (que lembravam Luhan do ex que não devia ser nomeado) e ombros largos. Ele quase podia ouvir a música que escapava dos fones pendurados em seu pescoço. Luhan não podia negar que era bonito. Tudo naquele garoto parecia um pouco demais pra ele, como se o chinês o estivesse enxergando através de uma lente com a nitidez aguçada. Cada detalhe lhe chamando muita atenção. Tanta que ele nem percebeu que estavam vestidos praticamente da mesma forma. O que só realçava o quanto eram diferentes.

Luhan fez uma nota mental de ensinar Xing a morder. Para que ele pudesse morder o precioso órgão de Zitao a próxima vez que este os visitasse.

"Hey, você é o Luhan?"

A voz rouca e anasalada tirou o chinês de seus pensamentos, fazendo-o focar os olhos traços do rosto do mais novo que agora estava em sua frente. Ele era definitivamente muito mais assim fe perto do que quando estavam a metros de distância. Luhan podia ouvir sua pulsação errática e não sabia se era pela vergonha dos dois estarem vestidos praticamente iguais ou se era por estar encarando alguém tão... Bonito.

"Ah... Sim."

A resposta saiu hesitante, como se a voz de Luhan não quisesse sair e responder ao mais alto. Mas este pareceu não perceber, tirando duas caixinhas de uma sacola e as oferecendo "Não sabia se você preferia chocolate ou café, então trouxe os dois..." Ele disse, mostrando o capuccino e o achocolatado ao outro e esperando que ele escolhesse primeiro, com um sorriso suave nos lábios. "Aliás, sou Oh Sehun. O Taozi me disse para procurar por alguém vestindo a mesma coisa que eu. Confesso que não esperava que você fosse tão bonito."

Sua voz saiu baixa. Sehun não tinha a intenção de soar como se estivesse flertando, mas Luhan se chutou internamente ao perceber que tinha corado com as palavras do mais novo. "Droga, Luhan, é só um favor pro Zitao! Esse garoto parece esperto. Ele deve dizer isso pra todos. E todas. E pra animaizinhos também!" Ele aceitou o capuccino, se virando para perfurar a caixinha com o canudinho e tomar o primeiro gole.

Luhan se manteve alerta. Sehun não parece nada bobo e com esse tipo de garoto só vem una coisa: problema. Ele não queria passar por todo o drama de ter seus sentimentos pisados parte dois. Ele já tinha visto esse filme. Não gostou. Não queria ver de novo. Se Sehun queria flertar, ele também sabia brincar. "Você também... Nada mal." Luhan passou a língua pelo lábio inferior, imaginariamente sujo de capuccino e o prendeu entre os dentes, sorrindo. Sehun sorriu de volta, como se não tivesse se incomodado nem um pouco com a provocação do mais velho e fechou os lábios num biquinho em volta do canudo do achocolatado. O garoto parecia uma criança que tinha crescido demais - demais mesmo, o quanto essa criança tinha de altura? - e pelo que Luhan conhecia de si mesmo, ele teria se interessado pelo mais novo em um bater de pestanas se seu coração não fosse agora uma pedra.

"Então... Qual o plano?"

"O que você quiser fazer." Aquele sorriso mais uma vez, o que fazia os olhos do coreano sumirem em linhas.

"Eu não faço idéia."

"A gente pode andar enquanto pensa?" Sehun ofereceu, vacilante e com o mesmo sorriso sincero ainda nos lábios que deixou impossível para Luhan negar a sugestão.

Hongdae estava apinhada de estudantes que assim como os dois, aproveitavam as primeiras horas de seus tão almejados descansos e turistas curiosos explorando pela área. Lojas de diferentes coisas competiam por atenção com suas luzes coloridas e o som exagerado, vibrando as caixas instaladas em seus interiores, que escapava pelas portas a cada vez que abriam para que alguém as atravessasse. Os cabelos de Luhan e Sehun dançavam desordenados com o vento quando os dois passaram por um grupo de dançarinos de rua. Eles mantinham uma distância segura de três passos entre si, rudemente encurtada quando uma criança atravessou o caminho de Luhan, fazendo-o perder o equilíbrio e se apoiar desajeitado nos braços de Sehun.

“Ei, você não tem mãe não?” Resmungando, Luhan olhou feio para o pequeno, se endireitando cheio de pose como se o outro não o tivesse salvo de um tombo vergonhoso. Os braços de Sehun eram tão… quentes e aconchegantes. Luhan não conseguiu reprimir os pensamentos que invadiram seu cérebro como fotografias. Ele não deveria estar se imaginando dormindo entre aqueles braços. Balançou a cabeça de um lado ao outro e murmurou um agradecimento à Sehun, que apenas sorriu infantil e deu de ombros, percebendo a falta de jeito do mais velho.

Aquele encontro tinha começado à poucos minutos e Luhan já se sentia em uma montanha russa de sentimentos a.k.a ele não conseguia parar de pensar nos braços longos e convidativos de Sehun.
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cap. 01

"Então, tem esse cara que eu conheço... Você vai sair com ele, não vai, Luhan?"

O brilho nos olhos de Zitao denunciava a intenção que ele tentava sem muito esforço esconder com a voz mansa. Zitao nunca trazia boas notícias.

Luhan rolou os olhos e continuou digitando. Ele tinha dez horas para entregar o primeiro rascunho de sua monografia pra poder fechar o semestre e se formar no seguinte. O último ano da faculdade de letras já era difícil sem o amigo se metendo em sua vida, que era sim monótona e sem graça, mas ia muito bem, obrigado.

"Luhan, eu tô falando com você!" O mais novo fechou o notebook de Luhan bruscamente, o encarando com os olhos apertados em fendas ameaçadoras em seu rosto. Até parece que botava medo em alguém. "Ele é da minha turma, novinho, meio estranho. Mas é gente boa. E é bem seu tipo, magrelo, meio nerd, pernas compridas. Vocês vão se dar bem, Luhan. Me diz quando eu errei."

Zitao cruzou os braços e se recostou na cadeira, encarando Luhan como se o desafiasse a discordar do que dizia. Várias situações se passaram pela cabeça do mais velho, mas ele se resignou a suspirar e continuar encarando o amigo, se perguntando quando tinham ganhado intimidade o suficiente para que o outro invadisse seu quarto quando bem queria daquela maneira.

Era nove da noite e Luhan ainda estava de pijamas. Ainda, porque não se lembrava da última vez em que tinha tomado banho e trocado o moletom preto exageradamente grande e manchado de comida que vestia. Cheirava a desespero e frustração, e o aroma não era exatamente agradável. Tinha um pouco de suor e comida gordurosa e pouco saudável e uma nota de masculinidade de que não se orgulhava naquele momento. A cadeira em que Zitao estava sentado balançava para frente e para trás perigosamente, graças à incapacidade do mais novo de conter sua empolgação e ficar quieto como um ser humano normal. Luhan o fitou irritado. Não tinha tempo pra isso. Tinha que entregar o maldito trabalho antes da hora do almoço do dia seguinte e não tinha escrito nem seu nome e o nome da universidade no arquivo aberto em seu notebook.

"Tao, agora não!"

Sua irritação era palpável. O cansaço visível na postura derrotada do chinês, cansado. Zitao escolheu ignorá-lo, puxando a cadeira mais pra perto e fazendo-a arranhar o chão de madeira do dormitório de Luhan, provocando um arrepio neste. Luhan encolheu os ombros e sibilou, apertando os lábios numa linha fina.

"Como assim agora não? Luhan, você tá enfiado nesse quarto faz dias. Semanas. Sei lá quanto tempo não vê a luz do dia. O amor é importante, amigo. Se você não tomar jeito e lidar com isso vai acabar sozinho e amargo com os gatos comendo seus restos quando você morrer."

Zitao estava irritantemente apaixonado. Desde que conheceu Yifan, modelo barra garçom, se auto nomeou autoridade em assuntos românticos, o que queria dizer que tentava tornar a vida de Luhan um inferno brincando de casamenteira. Luhan encarava distraído o pescoço do mais novo enquanto esse se dedicava a um monólogo empolgado sobre como "nenhum homem é uma ilha, Luhan. Ninguém vive sozinho". Ele tentava calcular o exato ponto em que teria que acertar a caneta para que o amigo morresse sem virar um chafariz de sangue e sujar tanto o chão de seu quarto.

Ele finalmente balançou a cabeça negativamente e voltou a abrir o computador com a expressão em branco, ignorando as 'sábias' palavras do outro e digitando seu nome na folha em branco com uma concentração exagerada, pensando nas três referências bibliográficas que tinha para seu artigo e em onde iria achar mais três que validassem o trabalho aos olhos de seu orientador. A Arte de escrever trabalhos acadêmicos, por Lu Han.

"...hein? Então, você vai? Luhan, você tá me ouvindo?" Irritado, Zitao suspirou e pegou um dos grossos livros da mesa do outro, o deixando cair displicentemente no chão num estrondo "Sabe Luhan, nem todo mundo é o Baekhyun. Tem gente que presta."

O tom de Tao era venenoso. Strike um.

"Tao, nós já tivemos essa conversa antes. Eu não tenho tempo pra sair com todos os caras que você conhece. Eu tenho trabalhos pra entregar, é o último ano e eu quero me formar direito e conseguir um emprego decente e..." Luhan afastou os dedos do teclado e apoiou os cotovelos na mesa, suspirando e finalmente dando atenção ao outro "Eu tô bem com o Xing. Não preciso disso agora."

"Luhan, o Xing é um gato." Zitao disparou com um tom de incredulidade na voz "E vai ser o primeiro de muitos se as coisas continuarem assim." Desabotoando a manga da camisa, ele continuou. "Seu gato me arranhou a última vez que eu estive aqui." O mais novo choramingou, mostrando à Luhan a cicatriz ínfima em seu pulso "Acho que ele não gosta de mim."

"Ah..." Luhan fingiu desinteresse e deu de ombros. "Me lembre de agradecê-lo. Nesse momento eu também não gosto muito de você".

Luhan não ia conseguir escrever nada com o outro ali. Do jeito que as coisas estavam era mais fácil se ele já começasse a pensar em uma desculpa para o atraso da entrega de seu trabalho ao invés de pensar no trabalho em si.

"Por deus, Luhan, isso é falta de sexo!"

Strike dois. Fazia tanto tempo que Luhan não sabia o que era sexo que ele já suspeitava a próxima vez seria horrível. Ele ainda se lembrava o que ia onde e o que fazer com as mãos?


"Tao... Por que você não vai pra casa? A gente tá nessa conversa a mais de meia hora e ela não faz sentido nenhum. Eu realmente preciso escrever esse trabalho". A exaustão na voz de Luhan era óbvia. Zitao sabia que se insistisse só mais um pouquinho...

"Só me promete que você vai. Só dessa vez..." sua voz foi sumindo ao final do pedido, e juntando as mãos, Zitao fez bico, inclinando a cabeça de lado ao tentar comover o menor.


Luhan estava pronto pra voltar à discutir. Tinha prometido não se envolver e perder tempo desde, bom... O arquivo sem nome o encarava da mesa, pesando na consciência de Luhan, que bufou derrotado e deixou os ombros caírem.

"Tá, tanto faz. Me manda os detalhes depois por mensagem. Agora some daqui, seu inútil. Se eu não conseguir me formar no semestre que vem eu te mato. Seu namorado é grande, mas não é dois."

Zitao piscou pra ele, o cutucando na cintura antes de se levantar. "Você ainda vai me agradecer por isso! E vê se toma um banho, esse quarto tá fedendo homem."

Quando o incômodo saiu, Luhan bateu a porta logo atrás dele, encarando o gato que saiu de seu esconderijo debaixo da cama. "O que foi? Até você vai me julgar, Xing?" E voltou a se sentar à frente de seu computador, torcendo o rosto ao olhar para o relógio. Zitao gastou mais de meia hora de seu tempo, o que deixavam exatas nove horas e vinte e dois minutos para que entregasse o trabalho que ia decidir todos os próximos seis meses de sua vida. Luhan ia precisar de toda sorte que conseguisse.



Depois de muita enrolação e explicações tiradas do nada, Luhan conseguiu fechar o semestre seguro. Com notas medíocres, mas o que importava mesmo para o chinês era ser aprovado, notas eram só números.

"Tá tudo bem. Eu vou me formar." Ele repetia mentalmente pra si mesmo. Suas notas não viriam no diploma mesmo. No fim o que importava era isso.

Era sexta, último dia da semana de provas e Luhan já podia ouvir o caos do lado de fora de seu quarto. Ele morava no dormitório estudantil e seus colegas se preparavam para ir para casa como condenados sendo libertos da prisão. Eram uivos, gritos, choro, comemorações e cerveja - a exaltação característica de todo final de semestre. Luhan se pegou encarando o espelho. Ele parecia... Humano. Era estranho, considerando que a apenas uma semana Luhan evitava os espelhos, para não ter que encarar as olheiras, os cabelos oleosos apontando em todas as direções, as roupas amarrotadas e as meias que não combinavam, um pé de cada par, sendo usadas por mais tempo que o recomendado.

Seus cabelos loiros estavam penteados pra trás, ordenados, revelando sua testa e o rosto bem desenhado de traços delicados e seus olhos expressivos examinavam minuciosamente as roupas em que o amigo o vestiu. Estava irreconhecível. Zitao tinha sido adamante nesse ponto, vestindo Luhan como se este fosse seu boneco. "É assim que ele vai reconhecê-lo. E Luhan, todo mundo sabe que a gente não pode confiar em você pra causar uma boa impressão quando se trata de roupas." Repetia toda vez que o mais velho abria os lábios para reclamar que podia se vestir sozinho o que arrancou resmungos indignados dele. O tricô preto de mangas longas, o jeans claro, ajustado em suas pernas ainda torneadas pelo futebol que jogara no colégio e o par de tênis vermelhos. Era tão... Simples. Tão não característico do amigo. Luhan agradeceu silenciosamente pelo amigo não estar num dia dos mais extravagantes e não ter tentado vesti-lo, bom, do jeito que costumava vestir a si mesmo. Luhan não podia reclamar. Assim que esse encontro terminasse ele podia voltar aos seus planos de passar as férias assistindo os animes que tinha perdido com a carga de trabalhos do semestre, jogando futebol nos finais de semana e passando tempo com Xingar que tinha sido negligenciado nos últimos dias por causa de seus trabalhos e parecia mais mal humorado que nunca.

De acordo com Zitao, deveriam se encontrar na livraria que ficava a um quarteirão da universidade. Isso o fazia pensar se o outro também gostava de livros, se gostariam dos mesmos tipos de história, mas uma parte de seu cérebro acabou com qualquer curiosidade que poderia ser desperta por esse desconhecido. Da última vez que um cara despertara sua curiosidade isso o levou a um relacionamento de três anos que o deixou com o coração partido e uma bola de emoções mal resolvidas que ele ainda lutava para lidar.

Nunca. Mais.

O guizo no pescoço de Xing ressoou em seus ouvidos e o tirou da discussão que travava consigo mesmo sobre uma pessoa que nem conhecia ainda e o gato esfregou a cabeça carinhosamente em sua perna. Ele encarou Luhan com os olhos acizentados como se o pedisse para não o deixar sozinho. Este se agachou, arranhando suavemente entre as orelhas do bichano e o animal ronronou e fechou os olhos porque isso, aí, atrás da orelha...

"Ei, obrigado por arranhar o Zitao". O gato empurrou a cabeça contra a mão de seu dono. Xing era um gato laranja de um ano, com mais personalidade que qualquer pessoa que Luhan conhecia, até Zitao. "Te trago um presentinho depois do encontro, prometo. Nós podemos comer e assistir Shingeki no Kyojin juntos até de madrugada na minha cama". O gato miou preguiçoso, como se concordasse com os planos do humano com um suspiro.

Luhan trocou a água da tigela de Xing antes de pegar suas coisas e sair para a rua.

Sua esperança era que dessa vez, Zitao não tivesse lhe arrumado um maluco.

Mar. 12th, 2009

bb

(no subject)

i get drunk in the evening wondering who i could call
it's lonely to realize i have no one at all
and i feel kinda depressed enough to start on those pills
it never gets real but it keeps getting me ill

i have a cold bed and i can't bare lying alone
i sleep in the living room trying to make it home
the nights keep getting longer, the clock's the only sound
the way i feel bad about it shows i'm not really asylum bound

i don't know what to do about myself
i can't tell what i'm supposed to feel
i walk around the day-by-day as i'm not really part of it
it takes more than some cigarettes to make me feel ok
i'm scared to death to get up and to live another day

the hpuse is full of friends but my smile is just a fake
pretending i'm normal is more pain than i an take
i don't know what normal is, but i guess it feels ok
hope is not enough, it's a game i'm tired to play

i eat to feel full, but it's not working anymore
i just feel emptier as i never felt before
the ghosts behind the mirror are whispering this is it
they say if i can't take it i should not exist

and i can't really feel my fingertips
they are as cold as hell
i can't make the ghosts shut up
and i hate what they tell me
so what's the point in singing some things i don't believe
the songs i listen when i'm not sleeping i wish they could be me 
camping out.

(no subject)

so boring. bored to death, i just wanna cry
i really hate myself like this, don't try to make me smile
whenever i look back, there's always something to erase
take back, rewrite, rewind... just don't look me in the face

i wanna forget who i am, today i want you to go
i'm gonna cry, scream, smoke, doubt of all i know
i don't wanna talk today, please, just fade away
doesn't matter what happens to me, they're all bad days

this cuddling close, call it love as you please
but it's just me looking for some warmth
there's just everything to feel bad about
you know you shouldn't be here anymore by now

no matter how much you hope and pray for us, we already deceased
you'll be just a character in my book since i left you here
there's no salvation to this, you knew it would happen sooner or later
and i won't miss anything, i won't keep your eyes, please, stay away

i wanna forget who i am, today i want you to go
i'm so tired of pretending i do love you so
it's suffocating me, like i owe you more
it ends right here, i don't love you anymore

and i just wanna forget who i am, i'll get high all alone
smile like this scary plastic doll, pretending i'm feeling home
i don't want to see you today, you could just fade away
i just want some peace for a while, forget me for a day

it was supposed to be a song, but i always overwrite everything.
 

Mar. 1st, 2009

bb

(no subject)

i can't sleep. i went to bed after six in the morning and i'm already up.
that's getting messed up, i'm starting to have these deep and dark panda eyes. not attractive at all.
but it's impossible to fall asleep and have a quality sleeping time. its TOO hot!

and i can't get that disqus thing to work on my tumblr. the day has alread started badly.
camping out.

(no subject)

i have been writing a lot in my own messy handwriting.
i don't know why, but i feel much better writing in pen and paper, it makes a lot more sense to me.
but i'm too lazy to transcribe the things, besides, it loses a lot when transcribed in binary code. the handwriting is messy for a reason.
so, things will be kind of slow, anyway.

i hate being forgotten. perhaps that's why i keep so much imaginary friends.

Feb. 26th, 2009

bb

"if you could travel back in time, what advice would you give yourself in high school?"

hey, dorky me!
stop sleeping around everywhere! you're wasting valuable time you could be doing nothing just sleeping.
i know it feels tiring just to exist, but there's nothing you can do about it, it's our curse.
you don't have to study math that much, in the end you'll never use it and you'll do surprisingly well.
the bad news is that, well, we still are lost and stuck and don't know why we do exist, but the good news is that the feeling of not belonging gets better. you'll get out of that little town soon, for the only place in the country that could hold you for a little more. and it's great here, you can talk to the walls and eat veganly in peace.
i don't know what else to say. i don't want to ruin the surprise factor, or you're going to spend the next five years sleeping too.

oh, and that boy. he's bad for you.
he'll hurt you and take a great part of you with him. but believe me, you won't need it.

xoxo~
the girl you don't want to be, but you will.
bb

(no subject)

it's not like you could save me from myself. i don't even want you to. and i know i can't save you from yourself, i never intended that, i know i'm too small for you.
but i would like to watch you being you. just like that, without interfering in your line of thought.
it aches to know you are so distant you can't feel my eyes stalking you.

... and someday i'll die before i meet you.
 
bb

hello world

ok, one of my goals this month is to start using my lj. i wanted a place to write in english and was almost signing for another blog, but since i've started trying to customizate that thing i gave up. it's too complicated for me right now.
so, i have to learn how to use it properly and hopefully get to know some lovely people through it.
i was thinking about introduce myself, but i have really nothing to say.

hey, i'm claire, and i'm stuck.